29/04/2019 às 16:29 - Atualizado em 10/05/2019 às 11:45

Após cinco meses de alta, Intenção de Consumo das Famílias de Salvador cai e atinge os 100 pontos

O índice de Intenção de Consumo das Famílias de Salvador registrou queda de 4,3% em abril e atinge os 100 pontos, no exato ponto de indiferença, quando há uma igualdade de respostas positivas e negativas na avaliação das condições econômicas. Este foi o primeiro recuo após o ciclo positivo iniciado em novembro do ano passado, findo o processo eleitoral. Na comparação com o mesmo mês de 2018, o indicador apresenta crescimento de 11,9%. 

O ICF é elaborado mensalmente pela Fecomércio-BA e o índice varia de 0 a 200 pontos, sendo que o patamar de 0 a 100 é considerado de insatisfação, e de 100 a 200 pontos de satisfação das condições econômicas das famílias.  

Com a exceção do item Emprego Atual que registrou leve aumento de 0,8% e se situa nos 120,7 pontos, todos os outros seis itens que compõem o ICF ficaram no negativo na comparação mensal. O destaque foi do item Momento para Duráveis que passou de 76,4 pontos em março para 68,9 pontos em abril, numa queda de 9,8%. São 63% das famílias de Salvador que afirmam este ser um mau momento para compras de bens como geladeira, fogão, televisor etc. 

Outros três itens relacionados às expectativas ajudam a explicar esse sentimento de evitar compra de bens que, em grande parte, necessitam de financiamento. O item Perspectiva Profissional registrou 132,1 pontos (-7%), o item Acesso a Crédito atinge 96,7 pontos (-5%) e o Perspectiva de Consumo ficou nos 102,8 pontos (-4,9%). 

Esses dados indicam que o consumidor está projetando um futuro – próximos meses -menos otimista e desta forma diminui os gastos que podem comprometer sua renda com algum tipo de dívida. Adiciona a esta análise a alta na taxa média de juros à pessoa física, o que encarece o pagamento em compras financiadas a prazo.

E, por fim, os itens Renda Atual e Nível Atual de Consumo, que caíram 1,7% e 3,8%, respectivamente. O primeiro registra 103,6 pontos e o segundo 102,8 pontos.

A situação é ainda mais delicada para as famílias com renda inferior a 10 salários mínimos. Para este grupo o índice caiu 4,7% e volta ao patamar de insatisfação com 98,2 pontos. Já o índice de intenção de consumo para as famílias de Salvador com renda mais elevada, acima de 10 SM, o índice teve leve queda de 0,8% e atinge 118,7 pontos.

“O que pode ser interpretado a partir de todos estes dados de abril é que as expectativas que os consumidores tinham para este ano estão sendo revistas – para baixo – o que impacta na intenção de consumo”, declara Guilherme Dietze, assessor econômico da Fecomércio-BA, acrescentando que, desde o final do ano passado, já se esperava que o país já estivesse numa rota de crescimento mais forte, no atual momento. Para Guilherme, o que está se vendo é a projeção de crescimento do PIB caindo pela metade, vendas no comércio num ritmo fraco, pouca geração de emprego, além da instabilidade no quadro político, sobretudo, nas negociações e andamento da reforma previdenciária.

É um quadro de cautela do consumidor que deve permanecer nos próximos meses, entretanto, a atual situação econômica está mais favorável do que no ano passado, uma vez que todos os itens avançaram na comparação com abril de 2018. Isso contribui pelo menos para que o desempenho do comércio, por exemplo, ainda apresente variações positivas, mesmo que abaixo do esperado.