26/02/2019 às 14:56 - Atualizado em 26/02/2019 às 16:05

Artigo: “Eu tenho um sonho”

Quando as fugazes palavras humanas se inspiram na eterna Palavra de Deus, tornam-se perenes em qualquer tempo e lugar. Em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King, americano negro de Atlanta e pastor batista, pronunciou diante do Lincoln Memorial Washington um discurso contra a discriminação racial, conhecido como “Eu tenho um sonho”. Até hoje ele ecoa como defesa dos direitos humanos, centrado no preconceito do racismo.  São pensamentos de denso conteúdo social, envoltas no profetismo cristão.

Em todo texto, ele se mostra defensor da justiça, através de meios pacíficos. Tal pretensão fica clara nesta afirmação: “Não devemos deixar que o nosso protesto criativo se degenere na violência física”. Buscando a harmonia, Luther King é firme seguidor do Mestre Jesus, o maior construtor da paz.

Mas qual é o seu sonho? Ele explica em várias frases. Selecionei algumas: “Eu tenho um sonho de que um dia na colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes dos escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão sentar-se junto à mesa da fraternidade”. E nenhuma imagem mais bela da  fraternidade que a família reunida, participando do mesmo pão, saboreando o mesmo alimento, antecipando o banquete eterno dos que souberam ser irmãos neste mundo. Continua, revelando a magnífica utopia. “Eu tenho o sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter.” Aposta na grandeza do seu povo, proclamando que “não haverá descanso nem tranquilidade na América até o negro adquirir seus direitos de cidadão”.

Prossegue Luther King, soltando sua imaginação, agora inspirado no profeta Isaias quando anunciou a era da reconciliação universal: “Eu tenho um sonho de que um dia todo vale será exaltado e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda carne estará junta”.

Até hoje não aconteceu o sonho do profeta americano, mas seu ideal incentiva-nos a não recuar no combate pela dignidade do homem, pela igualdade de todos, embora diferentes pelas etnias, pelas diversificadas culturas e múltiplas religiões professadas.   Façamos nosso o sonho de Martin Luther King que deu a vida pelos direitos de todos. Mais cedo ou mais tarde entoaremos a canção da justiça.  A inteligência e criatividade do homem já descobriram tantos segredos da ciência e atingiram extraordinárias vitórias na escalada tecnológica, porém o ser humano pouco avançou nos seus relacionamentos. A que constatação realista ele chegou: “Aprendemos a voar como as aves e nadar como peixes, mas ainda não aprendemos a conviver como irmãos”.

yvette_amaral.jpg - Escrito por Yvette Amaral