24/03/2021 às 09:46

Intenção de Consumo em Salvador sobe, mas insatisfação com a economia continua, revela Fecomércio-BA

O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborado mensalmente pela Fecomércio-BA, registrou alta mensal de 2,1% em março. A oitava consecutiva atingindo 87,2 pontos, ante os 85,4 pontos de fevereiro. Apesar do avanço, o ICF ainda se posiciona abaixo dos 100 pontos, o que significa que as famílias de Salvador estão insatisfeitas com as suas condições econômicas. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve forte queda de 15,5%.

Segundo a análise, no mês, o item de destaque foi o Emprego Atual com alta mensal de 7,9% e volta ao patamar de satisfação com 105,3 pontos. A expectativa também é mais favorável para os próximos meses, uma vez que o item ‘Perspectiva Profissional’ avançou 1,7% e se situa também nos 105,3 pontos. Ambos são os itens mais bem avaliados da pesquisa no mês.

Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, houve um saldo positivo de 4.032 vagas formais, sendo puxado pelo setor de Serviços com a criação de 2.225 novos postos de trabalho e com todos os grandes grupos com número de admitidos acima dos demitidos.

“Muitas famílias também conseguiram poupar algum recurso ao longo do ano passado e com isso amenizam-se os impactos da pandemia neste início de ano”, analisa o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze. O nível de Renda Atual avançou 1,9% e atinge 96,1 pontos.

Segundo o economista, a relativa melhora na renda também proporciona um aumento dos gastos. Os itens Nível de Consumo Atual e Perspectiva de Consumo subiram 6,2% e 4%, respectivamente. O primeiro registrou os 78 pontos, enquanto o segundo está nos 90,3 pontos. “Essa melhora não necessariamente reflete um cenário positivo. Isso porque o avanço da inflação, principalmente a de alimentos, faz com que os consumidores tenham que gastar mais do que no ano passado, impactando nesses itens de consumo”.

Pelo lado negativo, dois itens recuaram em março, Acesso a Crédito (95,7 pontos) e Momento para Duráveis (39,6 pontos) com quedas respectivas de -4,5% e -4,8%. Guilherme Dietze explica que “há uma conjunção de fatores negativos para compra de produtos como televisores e fogões. Assim os bancos tornam o crédito mais seleto e a taxa básica de juros que sobe também impacta no encarecimento dos empréstimos aos consumidores”.

“É importante deixar claro como primeiro ponto de que o nível de insatisfação com as condições econômicas (emprego, renda e consumo) está bem abaixo do visto no mesmo período do ano passado”, reforça Dietze.

Portanto, o economista demonstra que “o ICF conseguiu se recuperar ao longo do segundo semestre do ano passado e início de ano, mas sem maiores incentivos, como o auxílio emergencial, e uma geração fraca de emprego, o ritmo de avanço será lento e manterá o indicador ainda longe de retornar ao patamar pré-crise”.

Ainda conforme a análise, no segundo semestre, com um cenário de vacinação mais avançado, e as expectativas melhorando para a retomada das atividades, poderá ser projetada uma recuperação sólida do consumo, indo ao patamar de satisfação, acima dos 100 pontos, e tendo um efeito consistente para as vendas do comércio.