06/04/2021 às 14:58

Varejo baiano abre mais de 5 mil vagas formais no 1° bimestre e ameniza impactos da pandemia

IStock

Em meio a pandemia, uma excelente notícia para a economia da Bahia. Foram criados 33,3 mil empregos formais no Estado nos meses de janeiro e fevereiro, acima dos 25,4 mil do mesmo período do ano passado, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério da Economia. Especificamente o comércio varejista não só abriu 5,7 mil vagas, mas o saldo, entre admitidos e demitidos, cresceu entre janeiro e fevereiro, de 2,8 mil para 2,9 mil, respectivamente.

Para a Fecomércio-BA, o resultado supera as expectativas de um cenário que sinalizava para o aumento do desemprego. Com a chegada da segunda onda, mais forte a partir de janeiro, e com restrições das atividades no final de fevereiro, esperava-se um receio maior dos empresários para contratações. No entanto, dos sete grupos de atividades analisados pela Entidade, seis registraram saldos positivos no bimestre.

De acordo com o economista Guilherme Dietze, foram dois setores que tiveram praticamente o mesmo saldo de geração de emprego neste início de ano. "O primeiro foi o de materiais de construção, com 1.248 mil vagas formais. Vale ressaltar que a Fecomércio-BA mostrou que esse segmento apontou alta de 23,9% nas vendas no primeiro mês do ano".

O outro destaque foi do setor básico da economia, de alimentos e bebidas. Os estabelecimentos de hiper, supermercados e mercados específicos como açougues e lojas de bebidas, criaram 1,246 mil vagas formais nos dois primeiros meses do ano. Os dados de vendas também apontavam para essa direção, com aumento do faturamento de 3,3% em janeiro.

O setor de concessionaria de veículos, motos e peças também foi importante para o saldo geral do varejo, de 1,18 mil empregos formais. "Embora as vendas de veículos estejam caindo, o que tem influenciado para o bom desempenho do emprego são as áreas de reparação, manutenção e vendas de peças", explica o assessor econômico da Fecomércio-BA. Na sequência vem Outras Atividades (1.013), Farmácias e Perfumarias (859) e Eletroeletrônicos, móveis e decoração (850).

Segundo análise econômica, somente o setor de vestuário, calçados e acessórios que ficou com saldo negativo, de 705 no primeiro bimestre. "Não surpreende por causa dos resultados de vendas desde o início da pandemia, de forte retração, e da redução na necessidade das pessoas de renovação de seus guarda-roupas pela permanência por um período maior em casa", avalia Guilherme Dietze.

É interessante o dado geral positivo de emprego deste início do ano, que contribuiu para explicar o aumento da intenção de consumo das famílias, pesquisa da Fecomércio-BA. O ambiente ainda é muito desafiador para atravessar a pandemia, mas ter mais empregos formais permite que as famílias mantenham a sua renda e consigam também equilibrar as contas, reduzindo a inadimplência, conforme aponta outra pesquisa da Entidade, a Peic.

Portanto, o cenário que parecia mais danoso para a economia baiana está sendo amenizado por conta dos empregos. "Será importante também a injeção do auxílio emergencial, nas novas quatro parcelas de R$ 250 em média, para contribuir com os mais vulneráveis e que não estão encontrando oportunidades no mercado de trabalho. Esse conjunto, emprego e auxílio, ajudarão na não desestruturação dos setores para que haja uma recuperação mais rápida assim que a vacinação ganhar escala de massa", analisa o economista.