16/11/2020 às 17:14

Vendas em setembro crescem 9,5% na Bahia puxadas por setores ligados a construção civil, calcula Fecomércio-BA

Entretanto, ritmo acelerado de compras nos últimos meses ainda não consegue reverter resultado negativo do ano

Em setembro, as vendas do comércio varejista da Bahia cresceram 9,5% quando comparado com igual período de 2019. Esta foi a terceira alta consecutiva e o faturamento atingiu R$ 8,6 bilhões, quase R$ 750 milhões a mais do que um ano atrás. Contudo, no acumulado do ano, o desempenho do varejo baiano ainda é negativo, em 10,1%, o que representa um prejuízo de 7,3 bilhões de reais no ano. Os dados são da assessoria econômica da Fecomércio-BA.

Os números de setembro seguem na mesma linha como ocorreu no mês anterior. Houve forte crescimento em três setores diretamente beneficiados pelo auxílio emergencial: móveis e decoração (48,9%), eletrodomésticos e eletrônicos (44,6%) e materiais de construção (43,9%).

Desde o início da pandemia até outubro, foram destinados 17 bilhões de reais para 5,8 milhões de baianos, ou 42% da população, conforme consta no Portal da Transparência do Governo Federal. “A maior parcela desses recursos foi destinada ao comércio, inclusive com consumidores dando os 600 reais, que agora em setembro passaram para 300 reais, de entrada na compra de eletrodomésticos, por exemplo”, diz o economista consultor da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze.

“A Fecomércio-BA acredita que há dois movimentos: primeiro o das pessoas que recebem o auxílio e que estão fazendo pequenas obras e reformas em suas residências. E o outro que é o investimento e compra de imóveis diante da baixa taxa de juros, estimulando, assim, a produção e consumo dos três setores que tiveram destaques no mês, todos ligados a construção civil”, explica Dietze.

SUPERMERCADOS EM ALTA - Os supermercados registraram crescimento anual de 7,5% e acumulam ganho de 5,8% no ano. Além de ser um setor essencial, há um ponto que vem chamando a atenção: a inflação de alimentos. Segundo o IBGE, enquanto o aumento de preços médio geral, acumulado no ano, na RMSA, foi de 2,16%, o grupo alimentos e bebidas registra alta de 11,41%. O subgrupo de cereais, leguminosas como o arroz e feijão, aponta elevação no ano de 43%, enquanto que as carnes sobem 21,4%. Essas variações de preços de produtos da mesa diária do brasileiro têm assustado a população, que é obrigada a fazer um malabarismo no orçamento para manter a qualidade do consumo.

A outra alta no mês foi de farmácias & perfumarias de 6% no contraponto anual. Diferentemente dos supermercados, as famílias acumulam uma leve queda no ano de 1%.

No campo negativo estão as lojas de vestuário, tecidos e calçados com retração anual de 15,8%, concessionárias de veículos com -13,3% e o grupo Outras Atividades com -9,5%. Este último engloba vendas de combustíveis para veículos, artigos esportivos, joalherias, entre outros.

Já o setor de roupas e calçados não está conseguindo se recuperar na pandemia. Mesmo com a reabertura das lojas, o ritmo tem sido muito fraco, talvez pela falta de necessidade das pessoas de comprar roupas no meio da pandemia, quando muitas delas estão ficando mais tempo em casa.

Portanto, embora o setor varejista da Bahia tenha apresentado números positivos, a recuperação tem seguido de forma assimétrica e ainda com perdas no acumulado do ano. “A redução do valor do auxílio emergencial e menos injeção de 13º salário tendem a levar a um ritmo menor de vendas no último trimestre. Inclusive, a Fecomercio-BA projetou o desempenho para novembro, mês da Black Friday, com ligeira alta de 0,7%”, conclui o economista.