14/09/2020 às 08:36 - Atualizado em 14/09/2020 às 14:17

Vendas no varejo baiano voltam a crescer após seis meses de queda, aponta Fecomércio-BA

Em julho, as vendas do comércio varejista da Bahia registraram crescimento de 2,5% na comparação com igual período de 2019, interrompendo o ciclo de seis quedas consecutivas. Esse levantamento foi feito pela Fecomércio-BA com base nos dados da Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE.

No mês, o faturamento foi de 8,2 bilhões de reais - R$ 200 milhões a mais do que em julho de 2019. O dado positivo foi que dos oito setores pesquisados, cinco apontaram elevação nas vendas. O destaque ficou por conta do setor de eletrodomésticos e eletrônicos com crescimento anual de 42%. A reabertura gradual do comércio somada à injeção dos recursos do auxílio emergencial de R$ 600,00 foram fatores fundamentais para o bom desempenho desse segmento. Com a adaptação das famílias nesta pandemia, permanecendo mais tempo em suas casas, houve um aumento da demanda por produtos de informática, limpeza e cozinha.

“O fato de as pessoas estarem trabalhando mais em casa gerou aumento nas vendas do setor de móveis e decoração de 36,3% no contraponto anual”, informa o consultor econômico da Federação, Guilherme Dietze.

Os setores básicos do comércio, supermercados e farmácias continuam com expansão nas vendas de 13% e 7,3%, respectivamente. “Além do auxílio emergencial que segue em grande parte para o mercado, o aumento de preços de alimentos e bebidas acima da inflação média leva as famílias a terem que gastar mais para manter a mesma cesta de produtos”, analisa Guilherme.

As vendas de carros e motos subiram 31,1% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado. A explicação pode vir da demanda reprimida por conta das concessionárias fechadas no início da pandemia. Além disso, é importante ressaltar que, apesar da melhora, o faturamento atual da atividade está cerca de 40% abaixo dos bons momentos que foram 2012 e 2013, por exemplo.

No caminho inverso, quem mais contribuiu para que o comércio da Bahia não tivesse uma alta mais forte foi o grupo Outras Atividades que registrou retração de 27,7%. “Nele estão áreas como vendas de combustíveis para veículos, artigos esportivos, joalherias, entre outros. A demanda de gasolina, por exemplo, ainda está baixa, pois a circulação de pessoas ainda continua afetada pela pandemia”, explica o economista.

As duas outras atividades que ficaram no negativo foram materiais de construção e vestuário. O primeiro registrou retração anual de 34,5%, influenciado pela paralisação da construção civil e pelo fato de que as pequenas obras domésticas não foram suficientes para gerar uma recuperação.

Já o segmento de vestuário apontou queda de 54% e não há perspectivas de melhora no curto e médio prazo. A necessidade de troca de roupas e calçados reduziu drasticamente com o fato de as pessoas estarem em casa e também com a priorização dos gastos essenciais.

O comércio, portanto, começa a esboçar uma recuperação lenta e gradual puxado pelo auxílio emergencial. A Fecomércio-BA vem alertando que os níveis de desemprego e de inadimplência estão elevados, o que deverá prejudicar a retomada mais consistente e de longo prazo. “Enquanto não houver previsibilidade, os investidores continuarão cautelosos em ampliar os negócios, comprar máquinas e equipamentos e contratar pessoas. Somente com a vacina que o cenário mudará de forma mais significativa”, finaliza Dietze.